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Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2025
MASP APRESENTA EXPOSIÇÃO SOBRE COLAPSO CLIMÁTICO

Cultura

MASP APRESENTA EXPOSIÇÃO SOBRE COLAPSO CLIMÁTICO

Ponto sem Retorno, de Clarissa Tossin reúne 40 obras no Masp

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MASP apresenta ‘Clarissa Tossin: ponto sem retorno’, exposição que reflete sobre o colapso climático 

MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta Clarissa Tossin: ponto sem retorno, exposição que reúne mais de 40 obras das últimas duas décadas de produção da artista brasileira. Mais do que retratar a crise climática, Clarissa Tossin (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1973) incorpora em seus trabalhos resíduos, objetos e materiais que se tornam testemunhos do colapso ambiental. Em cartaz de 10 de outubro a 1 de fevereiro de 2026, a mostra é a primeira individual da artista em um museu brasileiro.

Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP, a exposição foi concebida como uma grande instalação imersiva. “A sensação é a de que o museu alagou e montamos a mostra com aquilo que sobrou para expor. É como se o público estivesse visitando um museu pós-apocalíptico. Clarissa é uma artista contemporânea, conceitual. Tem muitas obras na escala real, um para um, resultando em uma mostra com uma dimensão bastante imersiva”, afirma Guilherme Giufrida.

A mostra reúne reflexões sobre catástrofes ambientais que atingiram Porto Alegre, local de nascimento da artista, e Los Angeles, nos Estados Unidos, cidade onde ela mora atualmente. Comissionada pelo MASP, a obra Volume Morto (2025) foi feita com tinta produzida com terra de três localidades que sofreram com as enchentes no Rio Grande do Sul: Cidade Baixa, Sarandi e Eldorado do Sul. A intervenção, pensada para as paredes da galeria expositiva, recria as marcas horizontais de lama que ficaram estampadas nas construções após as inundações. Além de relembrar o alagamento de enormes proporções que tomou conta do estado gaúcho em maio de 2024 — mesmo período em que foi iniciada a pesquisa para esta exposição —, a instalação também remete aos rastros deixados em Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019.

Já a obra de Clarissa Tossin intitulada You Gotta Make Your Own Worlds [É preciso criar seus próprios mundos] (2019) foi destruída pelos incêndios que devastaram a Califórnia em janeiro deste ano. A obra pertencia a um casal que morava há 33 anos na mesma residência e acabou perdendo todos os bens nas chamas. O nome do trabalho de Tossin é retirado de um trecho do livro A parábola do semeador, de Octavia E. Butler, publicado em 1993. Na trama distópica que se passa em 2024, os Estados Unidos são governados por um presidente autoritário, e queimadas atingem a Califórnia, levando refugiados climáticos a migrarem. No lugar da obra, a exposição apresenta uma marca na parede do tamanho original da peça e uma legenda explicativa, como um texto de um obituário daquele objeto.

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Tossin também discute as causas e os efeitos do aquecimento global, traçando conexões entre sinais de sofrimento dos corpos humanos e não humanos. Essa preocupação é vista na obra monumental Death by Heat Wave (Acer pseudoplatanus, Mulhouse Forest) [Morte por onda de calor (Acer pseudoplatanus, Floresta de Mulhouse)] (2021), em que galhos e troncos de uma árvore que morreu por conta de uma onda de calor na Floresta de Mulhouse, na França, se espalham no chão da mostra em meio a outras obras de arte.

“São obras fantasmagóricas, mortas-vivas, resquícios de paisagens pós-humanas. Os trabalhos em exibição criam mapas, protótipos, rastros de uma aparição humana momentânea e efêmera e do que foi possível reter dessa existência. A artista está produzindo a partir desse mundo em que a materialidade, o lixo, os resquícios humanos vão deixar alguns rastros daquilo que aconteceu com o mundo. É quase como se ela estivesse olhando para aquilo que no futuro arqueólogos vão observar: fósseis do futuro”, diz Giufrida.

Outra vertente da pesquisa de Tossin reflete sobre como a cartografia foi fundamental para a colonização das Américas, e como as imagens de satélite tornaram possível a busca por água e minerais em outros planetas. São paralelos entre os processos históricos de exploração territorial e as atuais ambições de colonização espacial. Sobrepostos a mapas coloniais ou entrelaçados a imagens de telescópio, caixas e envelopes da gigante do e-commerce Amazon também agregam uma camada de reflexão sobre o consumo de massa.

Sobre a artista

Clarissa Tossin (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1973) combina escultura, instalação, tapeçaria, vídeo e performance, unindo crítica geopolítica, ficção especulativa e práticas artesanais a fim de colocar em diálogo a memória, o consumo, os efeitos do colonialismo, a crise ambiental, o imaginário da exploração espacial e o futuro geológico. Entre as exposições individuais, Tossin já esteve no Frye Art Museum, em Seattle, nos Estados Unidos, Museum of Contemporary Art, em Denver, nos Estados Unidos, La Kunsthalle Mulhouse, na França, e Blanton Museum of Art, em Austin, nos Estados Unidos. Participou de exposições coletivas como a Whitney Biennial 2024, em Nova York, nos Estados Unidos, e a 12a Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul.

Clarissa Tossin: ponto sem retorno integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias da ecologia. A programação do ano também inclui mostras de Claude Monet, Frans Krajcberg, Abel Rodríguez, Hulda Guzmán, Minerva Cuevas e Mulheres Atingidas por Barragens.

Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP.

 

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